Edição de imagem: qual o limite entre beleza e ética?

Creme Photoshop. Os recursos do software Photoshop são tão conhecidos que imagens super tratadas ganham piada na internet.

Creme Photoshop. Os recursos do software da Adobe são tão conhecidos que imagens super tratadas viram piada na internet.

O Photoshop é sem dúvida um dos softwares mais populares de todos os tempos. Sabemos que a maioria das imagens que estão circulando por aí são retocadas, principalmente as imagens veiculadas em anúncios e revistas. Ninguém vai comprar uma lingerie sensual se a modelo tiver celulite, ou se a cara dela tiver acne. Retoques de imagem sempre existiram, mas nunca foram tão acessíveis e poderosos como são hoje, graças ao Photoshop.

Nada contra retoques. Mas cada trabalho é diferente do outro e a maneira como você trata a foto de um nugget, por exemplo, não pode ser a mesma em uma foto jornalística. Ter critério na edição de uma imagem é vital para a qualidade do trabalho do profissional e claro, é uma questão de ética, de oferecer verdade em seu trabalho.

A quantidade de imagens em um resultado de busca no Google de exageros e erros no photoshop chega a 14 mil resultados. São mãos perdidas, mulheres com corpos magros e distorcidos, umbigos desaparecidos, mulheres maduras com corpo de adolescentes – onde vamos chegar com isso? Qual é a percepção que o editor está passando para o público quando ele altera a imagem de tal forma que a realidade se torna uma caricatura?

A cada dia que passa a frase “Quem vê cara não vê coração” fica mais verdadeira. Os maiores escândalos envolvendo imagens surgem no mundo da Moda, onde o esquema de magreza extrema das modelos é bem conhecido por todos. As modelos geralmente são adolescentes magras, maquiadas, produzidas e mesmo assim suas fotos  são tratadas a ponto de se tornarem alienígenas. No segundo semestre de 2009 a fotografia de um dos anúncios da Ralph Lauren com a modelo Filippa Hamilton provocou um rebuliço na mídia pelo aspecto bizarro que o tratamento deu para a imagem.

Erros no Photoshop

Erros no Photoshop. A. O anúncio da Ralph Lauren com a modelo alienígena; B. A mulher sem braço no display; C. O rapper Eminem tão retocado que parece um action figure, D. O lugar com dois sóis; E. A linda mulher – sem umbigo.

O grande drama não é o software. É quem opera. O que faz a assinatura de um editor de imagens é o seu conceito de beleza. É o que cada profissional define como beleza que orienta os retoques, a intensidade e o resultado desejado.

Não existe um consenso ou uma escala para medir o quanto de tratamento é considerado aceitável ou ético. Na França até se falou em criar uma lei para que imagens editadas no Photoshop mostrassem uma espécie de tarja indicadora. Algo do tipo: o ministério do design adverte – esta imagem foi photoshopada. Mas a coisa amornou e ficou por isso mesmo.

Embora não exista consenso, a ética profissional, o bom gosto, a técnica dos profissionais envolvidos são fatores a considerar na análise do tratamento de uma imagem.

Aproveitando o tema, a Dove criou o filme Evolution que mostra em 60 segundos o processo de produção e pós-produção, da modelo ao outdoor, e explora exatamente essa percepção distorcida de beleza. Boa ideia.

Para ver a paródia desse anúncio clique aqui.

Confira mais erros absurdos de edição de Imagem clicando aqui em Photoshop Disasters.

Nota. Esse post não é um grito xiita contra o uso de softwares ou fotomontagens. Pelo contrário, é uma reflexão sobre ética e qualidade no tratamento de imagens.
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