SAIBADESIGN entrevista: Mike Stilkey

O SAIBADESIGN teve o prazer de entrevistar o artista Mike Stilkey. Se você não sabe quem ele é, pode se lembrar de um post chamado Julgue o livro por sua capa: As esculturas de Mike Stilkey.

Mike nasceu em Los Angeles, na Califórnia,  em 1975. Seus trabalhos são uma justaposição de narrativas do cotidiano, humor e melancolia; e já foram expostos em galerias nos Estados Unidos e Europa. Suas instalações de livros, chegam a somar mais de 4 mil livros empilhados e chamam a atenção do público por seu tamanho e pela base inusitada: o livro.

Instalações 1 e 2: Hurley ) ( Space Gallery, Junho de 2010. Acrílico sobre 2000 livros. Instalação 3: Slightly all the time, Kinsey/DesForges Gallery, 2008, foto de Dave Kinsey.

Instalações 1 e 2: Hurley ) ( Space Gallery, Junho de 2010. Acrílico sobre 2000 livros. Instalação 3: Slightly all the time, Kinsey/DesForges Gallery, 2008, foto de Dave Kinsey.

Muitos de seus trabalhos usam lombadas ou páginas de livros como base. A primeira pergunta é: Porque livros?

Eu detesto desenhar em qualquer coisa que seja branca, como um pedaço de papel de desenho ou uma tela. Acabei me interessando por desenhar em papel velho e manchado, porque não é branco. Há cinco ou seis anos atrás eu fiz um livro intitulado One Hundred Portraits (Uma centena de retratos) que reuniu cem retratos que fiz em páginas de livros velhos. Daí passei a pintar nas capas de livros e por todo o livro, e gradualmente comecei a empilhar os livros e a pintar em suas lombadas. Isso me permitiu fazer peças maiores, como foi a instalação gigante que fiz na Rice Gallery em Houston, Texas, e a peça que fiz para a exibição Arte do Novo Mundo no Museu da Cidade de Bristol, na Inglaterra. Minha intenção é reutilizar livros que foram descartados e serão destruídos, para que eu possa dar a eles uma segunda vida em minha arte.

Na biografia de seu site está escrito que seu estilo traz “características de artistas de vão de Edward Gorey a Egon Schiele”. De que forma você descreveria seu estilo?

Isso sempre foi algo difícil para mim. Posso dizer quais estilos me influenciaram. Adoro ilustração figurativa, expressionismo alemão e o surrealismo. Acredito que meu estilo é uma combinação desses três gêneros.

Mulheres, gatos e outros personagens são temas frequentes no seu trabalho. O que motiva esses temas? Você se inspira em pessoas que você conhece ou os personagens são frutos da sua imaginação?

Minhas principais fontes de informação são atividades cotidianas e domésticas. Por exemplo, fiz um livro escultura chamado Enemy in the House (Inimigo na Casa) que é sobre um homem tentando tirar o gato de uma cadeira. Essa história foi diretamente influenciada pelo dia a dia, todas as vezes que me levanto da cadeira, um de nossos gatos a rouba. Os retratos de pessoas imaginárias são pessoas com quem convivo diariamente, no entanto, o retrato não representa ninguém em particular. Eu procuro mostrar a vida cotidiana com um pouco de senso de humor, mesclada com um certo elemento de tristeza ou melancolia  – é essa a justaposição que procuro transmitir nos meus trabalhos.

1. Escultura feita com 11 livros, intitulada Enemy in the House, de 2009. 2. Escultura feita com 12 livros, Six Ways to Get a Job, de 2009. 3. Escultura feita com 8 livros, Far From Customary Skies, de 2010.

1. Escultura feita com 11 livros, intitulada Enemy in the House, de 2009. 2. Escultura feita com 12 livros, Six Ways to Get a Job, de 2009. 3. Escultura feita com 8 livros, Far From Customary Skies, de 2010.

Há alguma obra ou artista em particular que te inspire? Quem é seu artista favorito?

Na verdade não há nenhum artista específico…são centenas. Alguns dos meus artistas favoritos incluem (mas não se limitam a) Francis Bacon, Heinrich Kley, Raymond Pettibon, Egon Schiele, Irving Norman e muitos, muitos outros.

Quais são as reações ao seu trabalho? Há alguma reação em particular que marcou sua memória?

Eu geralmente recebo reações fortes em relação ao meu trabalho com livros. As pessoas ficam impressionadas pelas grandes instalações. Ocasionalmente, algumas pessoas se irritaram pelo fato de eu usar livros em minhas instalações e me acusaram de estar “estragando” os livros. Daí eu explico que só uso livros que são descartados e dou uma nova vida a eles em uma obra de arte.

1. Instalação feita com tinta acrílica sobre 4000 livros em uma loja de Laguna Beach chamada Nike Hurley. Junho de 2010, Mike Stilkey. 2. Slightly all the time “The Aftermath”, Kinsey/DesForges Gallery, 2008, foto de Dave Kinsey. 3. When the Animals Rebel, Rice University Art Gallery Photo: Nash Baker.

1. Instalação feita com tinta acrílica sobre 4000 livros em uma loja de Laguna Beach chamada Nike Hurley. Junho de 2010, Mike Stilkey. 2. Slightly all the time “The Aftermath”, Kinsey/DesForges Gallery, 2008, foto de Dave Kinsey. 3. When the Animals Rebel, Rice University Art Gallery Photo: Nash Baker.

Dê um conselho para os artistas que estão começando agora.

Não há nada melhor nesse mundo do que fazer algo para você e seguir seus sonhos. Se certifique de que está cercado de pessoas que vão te ajudar e guiar você ao longo do caminho. Não faça o que os outros estão fazendo, faça exatamente aquilo que você quer fazer.

Para ver a montagem de uma das exposições de Mike Stilkey, assista:

Para saber mais sobre Mike Stilkey, clique aqui.
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4 Respostas para “SAIBADESIGN entrevista: Mike Stilkey

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