SAIBADESIGN entrevista: Miguel Melgarejo

Essa semana o SAIBADESIGN teve o prazer de entrevistar Miguel Melgarejo, um designer mexicano de produtos que podem ser considerados, no mínimo, incomuns. Axixa, seu mictório a céu aberto deu o que falar em sites e revistas especializadas e até foi destaque no post Com design tudo é possível: xixi na rua com estilo.

 

Axixa (urina na linguagem Nahuatl), trata-se de um urinol público a céu aberto.

Axixa (urina na linguagem Nahuatl), trata-se de um urinol público a céu aberto.

 

Miguel já trabalhou em diversas empresas prestando serviços de consultoria em design e criando produtos que geram valor por meio do design. Também é o fundador da TOCTOC, uma comunidade de criativos mexicanos, teve seu trabalho exposto na Bienal de Xangai e em vários museus ao redor do mundo. Saiba mais sobre o artista a seguir.

Como você descreveria seu modelo de trabalho?

Meu modelo de trabalho é baseado em dois eixos, em um, há produtos experimentais com embasamento estratégico, no qual pretendo explorar diferentes materiais e ideologias – esse é o eixo que me ajudou a criar meu nome no México e outros cantos do mundo. O outro é focado em consultoria estratégica de design, na qual eu encontro as mais diversas soluções em design para clientes – essas atividades costumam trazer os resultados mais relevantes, pois posso atuar em diversas áreas e afetar muitas pessoas.

De que maneira a cultura mexicana influencia seu trabalho?

A cultura e a tradição mexicanas estão tão arraigadas na minha forma de ver o mundo, que muitas vezes afetam a minha vida e o meu trabalho sem que eu perceba. Mas também tenho projetos em que a influência da cultura mexicana é evidente, especialmente aqueles de conteúdo religioso, como é o caso de Milagritos. Sou muito influenciado pela representação da morte na nossa cultura, eu acho essas representações belas e inspiradoras, e sempre carrego caveiras mexicanas para os lugares onde moro.

 

Milagritos foi exposta na Bienal de Design de Xangai de 2008, e é possível comprá-la no Museo Mexicano Del Diseño (MUMEDI).

Milagritos foi exposta na Bienal de Design de Xangai de 2008, e é possível comprá-la no Museo Mexicano Del Diseño (MUMEDI).

 

Qual é a sua abordagem quando o assunto é risco e experimentação?

Para mim é claro, não há design sem experimentação e não há avanço sem riscos. Algumas vezes sinto que os designers passam muito tempo sonhando, pensando e esperando por algo ou alguém que faça com que seus projetos aconteçam: uma mistura de medo e procrastinação se apossa de nós. A verdade é que na maioria das vezes as ferramentas de que precisamos estão ao nosso alcance e a melhor hora para executar um projeto é agora.

Na sua opinião, quais são as principais armadilhas no mercado de arte e design?

Arte e design costumam ter bastante visibilidade, e o nascimento do chamado ‘design thinking’ e a propagação do design através de redes sociais e sites espalhou de alguma forma a ideia de que ou o designer é um rockstar de algum tipo ou o novo messias. Esses fatos podem ser uma grande armadilha ou uma fonte de inspiração; profissionalmente, acredito que devemos ser críticos do nosso meio, ler e estudar diferentes campos e refletir sobre nosso trabalho, senão podemos produzir coisas irrelevantes apenas para ‘aparecer’.

Quais os valores que você busca transmitir em seus projetos?

Na linha de trabalhos pessoais eu procuro criar projetos que carreguem duplo sentido, muitas vezes isso é evidente e em outras, a abordagem é mais sutil.

Nos designs que desenvolvo para clientes, procuro criar e acrescentar valor para o cliente final, para o ambiente e seu negócio como um todo.

Em geral, o que te inspira? Quais são suas fontes de inspiração?

Eu encontro muita inspiração na filosofia e na ciência, elas me fazem pensar em novas possibilidades e me permitem imaginar novos cenários. Entre outras coisas, nesse momento estou encontrando inspiração no campo da economia comportamental, especialmente nos livros de Dan Ariely. Também acho os podcasts da radiolab bastante inspiradores.

Há algum novo artista ou designer que você admira e gostaria de trabalhar com ele?

Claro, eu definitivamente gostaria de trabalhar com Ross Lovegrove e com a Frog Design.

Quais tendências estão influenciando o seu trabalho?

Nesse momento estou fazendo um mestrado em Design Estratégico de Produto na TU Delft, na Holanda. Mais do que uma tendência, todo o ambiente de lá está mudando a forma como eu vejo e pratico design.

Conte sobre o processo criativo de Axixa.

Eu estava voltando para o México depois de passar um semestre no Chile e me ocorreu que eu deveria fazer um projeto muito diferente ou incomum, um tabu. Daí pensei em mictórios públicos e passei a desenvolver toda uma teoria sobre os dejetos humanos, como eles afetam nossa vida diária e assim nasceu Axixa. As reações foram bem diversas; alguns acharam que é uma porcaria, alguns ainda acham, e de certa forma é, mas foi um de meus projetos mais bem sucedidos.

Alguma empresa ou investidor mostrou interesse em produzir ou vender suas criações?

Sim. Tenho mantido contato com empresas na Espanha, Canadá, EUA, Inglaterra, Turquia e México para produzir e vender alguns de meus produtos. Algumas tentativas foram bem sucedidas e eu ainda estou trabalhando em outras. O exemplo mais recente foi o The Poundshop na Semana de Design de Londres de 2010, onde meus marcadores foram vendidos.

 

Openers, marcadores de livro provocativos, vendidos na PoundShop em Londres, chamam o leitor de volta ao livro. Fabricados em polipropileno, cortados a laser.

Openers, marcadores de livro provocativos, vendidos na PoundShop em Londres, chamam o leitor de volta ao livro. Fabricados em polipropileno, cortados a laser.

 

Quais são suas metas e desafios para o futuro?

Minha prioridade é continuar me aperfeiçoando e desenvolvendo profissionalmente, e encorajar mudanças positivas na sociedade com os produtos e serviços que eu criei. Em relação aos desafios, eu diria que são três; um é terminar de forma bem sucedida o meu mestrado e trabalhar em um estúdio de design. O outro é continuar a desenvolver novos produtos e vendê-los na Europa, e o terceiro é desenvolver a TOCTOC, uma comunidade de criativos que fundei em Monterrey, no México.

 

TOCTOC, comunidade de designers e criativos fundada por Miguel Melgarejo. Para acessar o site clique na imagem.

TOCTOC, comunidade de designers e criativos fundada por Miguel Melgarejo. Para acessar o site clique na imagem.

 

Você está com algum projeto ‘no forno’? O que seus admiradores podem esperar de você no próximo ano?

Sim, eu terminei recentemente um colete à prova de balas, que eu espero apresentar muito em breve. Também estou com a perspectiva de vender meus produtos na Europa e reativar meu

blog.

Dê um conselho para os designers que estão começando e lêem o SAIBADESIGN.

Não tenham medo de concretizar seus projetos, suje as mãos e faça agora.

 

Para acessar o site do artista, visite Miguel Melgarejo.

 

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2 Respostas para “SAIBADESIGN entrevista: Miguel Melgarejo

  1. Pingback: Tweets that mention SAIBADESIGN entrevista: Miguel Melgarejo « SAIBADESIGN -- Topsy.com·

  2. justamente o que eu precisava de ouvir !!!
    parabéns miguel, siga com seu excelente trabalho!!!
    voçê vai deixar o nome de design mexicano muito alto
    estou muito orgulhosa de voçê 😀

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