SAIBADESIGN entrevista: Dennis Worden, artista dos quadrinhos underground

Nascido em Los Angeles, Califórnia, Dennis Worden é pintor e autor de comics underground. O primeiro desenho que Worden tem registro é “de um dinossauro comendo um homem” e define seu estilo como “desenho de comics vagabundo, pinturas anais, eu entro na categoria marrom.”

Print 09, de Dennis Worden.

Print 09, de Dennis Worden.

Seus quadrinhos são recheados dessa atitude sarcástica e intelectual. Autodidata, Worden sempre teve interesse na filosofia e no estilo de vida punk. Seus cartoons ganharam destaque em 1981, quando seus trabalhos foram publicados na revista WEIRDO de Robert Crumb e várias outras revistas underground da época.

Essa semana o SAIBADESIGN entrevistou Dennis Worden sobre sua vida e trabalho.

Algo que te irrita e diverte.

O comportamento das pessoas.

Boa música é:

Eu gosto de música punk, músicas das décadas de 1920 a 1940 e tudo mais o que for estranho e desconhecido.

Qual o melhor conselho que você já recebeu?

“Eu sou louco, você deveria se afastar de mim.”

Descreva um dia típico de sua vida.

É um dia bem normal e sei que para os outros isso pode soar um tanto chato, mas eu acredito que estar vivo é uma experiência incrível e por isso aproveito as coisas mais simples: acredito que a chatice está nos olhos de quem a vê. Mas, nesse momento nada é normal, pois estou cuidando do inventário de minha mãe.

Capa da terceira edição de Stickboy.

Capa da terceira edição de Stickboy.

Me conte sobre STICKBOY. Como esse personagem surgiu?

Primeiro vou contar como o nome surgiu. Eu costumava ler a revista SLASH, uma publicação de música punk do final dos anos 1970. Um dos autores, Claude Bessy (também fundador e editor da revista), usava o pseudônimo de Kickboy Face. O nome ficou na minha cabeça e em 1981, surgiu Stickboy. É por isso que não se chama Stickman, que seria muito mais apropriado, já que o personagem é um homem e não um garoto.

Stickboy é um personagem inspirado na cena punk, sua atitude reflete a atitude que eu gosto nas músicas punks. Mas nunca pretendi que ele fosse punk ou skinhead como alguns pensaram.

Mais tarde, quando escrevi meu primeiro livro sobre Stickboy, ele se tornou um reflexo de coisas que aconteciam na minha vida. Escolher ser sem-teto, viver uma ideologia, empregos ruins — coisas que aconteceram no meu passado. Antes da história, surgia a filosofia. Outras edições também caminharam nessa direção. A última, O Retorno de Stickboy, é a expressão mais completa do personagem.

Qual lugar do mundo você gostaria de ver suas pinturas ou quadrinhos?

Eu ficaria muito feliz se minha arte se tornasse famosa no Japão. Mas qualquer lugar seria legal. Se eu pensar em um lugar específico, acharia o máximo se um de meus quadros fosse pendurado na Casa Branca, apenas porque as chances disso acontecer são mínimas!

Página de uma das histórias de Stickboy.

Página de uma das histórias de Stickboy.

Que tipo de mensagem você procura transmitir com seus quadrinhos e pinturas?

Todo o meu trabalho possui uma certa integridade, mas as pinturas e os quadrinhos caminham em direções completamente diferentes. Os quadrinhos estão cheios de valores morais e as pinturas, nem um pouco. Mas, em ambos meu intuito é provocar uma resposta positiva no observador/leitor. Não estou exorcizando demônios ou sendo niilista. Tudo o que eu faço tem algo positivo a dizer, mesmo que em um primeiro momento pareça negativo.

Quem ou o quê inspirou seu trabalho com comics? Quais são seus artistas favoritos?

Big Daddy Roth, Basil Wolverton, Crumb e todos os artistas da ZAP.

Quais são os planos para 2011?

Estou escrevendo um livro que não é ficção, nem arte. É a filosofia dos livros de Stickboy, disfarçada de auto ajuda. É a coisa mais subversiva e desafiadora que já fiz. Eu vou manter o título e os detalhes em segredo por enquanto.

Alguns de seus trabalhos podem insultar os ‘politicamente corretos’ de plantão. Que tipo de críticas negativas você já recebeu?

Geralmente as pessoas que se ofendem com o meu trabalho não são as mesmas que costumam ler quadrinhos underground. Uma vez, um fundamentalista materialista se ofendeu quando fiz uma tirinha sobre a evolução do ser humano, mas ele queria apenas me insultar publicamente ao invés de discutir o assunto.

Quais são os maiores desafios na sua carreira hoje?

Ah, a mesma coisa de sempre: dinheiro. Esse sempre foi o meu maior desafio, não tenho talento para me vender.

Dê o seu conselho para quem está iniciando nessa área.

Eu geralmente tento desencorajar qualquer pessoa que está perseguindo uma carreira artística. As chances de viver de arte são mínimas, principalmente em quadrinhos. As noções românticas que muitos tem sobre se tornar um artista são uma merda. Livrem-se delas. Veja a realidade como ela é: tornar-se um artista é impraticável e perseguir isso é algo completamente fútil. Se você sabe disso, mas não consegue parar, bom, bem vindo ao clube e una-se a nós, os outros otários. Otário ou não, sempre me preocupei em fazer as coisas do meu jeito e isso eu sei que fiz.

Nailhose, por Dennis Worden.

Nailhose, por Dennis Worden.

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