Diretor de arte: o intérprete do indizível

Dia 16/03 rolou a palestra Direção de arte: a arte de traduzir ideias em conceitos visuais. Foi um prazer ministrar a palestra para mais de duzentas pessoas que sacrificaram o sagrado descanso do sábado de manhã e foram me ouvir por aproximadamente 3 horas. Aproveitando, vou postar de vez em vez, algumas das coisas que abordei na palestra, para aqueles que não puderam ir. Espero que gostem.
 

O papel do diretor de arte é criar, transformar, traduzir, interpretar e comunicar conceitos ou objetivos para um determinado público.

No caso da publicidade, o diretor de arte traduz o conceito criativo em uma imagem, que pode ser uma ilustração, fotografia e até mesmo um anúncio all type (feito só com tipos). Tipos também são um elemento gráfico, agem como imagens.

No design gráfico e web design o diretor de arte desenvolve um conceito criativo e traduz esse conceito em uma estética, que deve permear todo o projeto.

No cinema e na televisão o ofício se torna ainda mais dinâmico. Não se trata de um layout, mas do movimento contínuo dos frames: cada quadro é um layout e o diretor de arte é um maestro, coordenando diferentes elementos, que combinados, resultam na estética desejada.

Apesar das áreas mais conhecidas, as novas mídias, derivadas das novas tecnologias, o mercado de direção de arte está em constante transformação e se amplia cada vez mais, exigindo cada vez mais especialistas.

Paixão versus amor

As imagens de profissionais andando no tapete vermelho e ganhando prêmios devem ser amassadas e jogadas no lixo. Se seu único objetivo é dinheiro e sucesso, mude de profissão. Essas coisas são consequências dos nossos valores e não devem ser objetivos.

Muitas pessoas têm o interesse de se tornarem diretores de arte. Alguns já podem ser diretores de arte. Para aqueles que desejam trabalhar nesse amplo mercado, eu trago duas novidades.

A primeira é que você deve amar aquilo que você faz. Se apaixonar pela arte, seja qual for a sua forma, não é difícil. O difícil, como qualquer relacionamento, é manter a chama acessa diante das dificuldades e da rotina.

Vejo muitos jovens com o intuito de se tornarem designers ou diretores de arte desistirem sem ao menos tentar. Suas queixas mais comuns são “Eu não tenho o talento” ou “É muito difícil”. Há ainda, aqueles que passam quatro anos em uma faculdade e no fim dela, descobrem que a realidade do mercado é muito distante da realidade da sala de aula e de novo — desistem.

A paixão rompe barreiras e dá novos horizontes, mas é fugaz e some conforme surgem os desafios. O amor é algo que fica, que conquista e se estabelece, mas exige sacrifícios. Finais de semana, noites em claro, críticas, incompreensão, baixa ou nenhuma remuneração etc.

A segunda novidade é que você nunca vai deixar de ser um aluno, mesmo se decidir ser um professor. Dizer coisas como eu sei tudo o que eu preciso ou eu não tenho mais nada a aprender é o princípio do fim. Torna o profissional cheio de si e amargo, além de roubar todo o amor e o prazer que as conquistas trazem.

A direção de arte em si não é recheada de glamour: envolve o estresse do trabalho em equipe, longas jornadas de trabalho, avidez pelo conhecimento, ética em tempos de plágio e o mais profundo amor por aquilo que se cria.

A primeira pergunta que eu faço a vocês é: O que vocês realmente querem? E quando obtiverem a resposta para essa primeira, surge a segunda: O que vocês estão dispostos a sacrificar por essa vontade, ou sonho?

Por Rita Aprile

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s