Conheça Frank Miller: um ícone do mundo HQ

Frank Miller é um dos autores mais famosos de comics. Elektra, Sin City, Batman: Cavaleiro das Trevas e 300 de Esparta são suas histórias mais conhecidas pois chegaram às grandes telas, e foram sucessos de bilheteria.
A técnica de pintura empregada em seus HQs é bem distinta. Respingos, ato contraste, traços firmes, violentos dão uma estética única ao trabalho de Miller.

Como tudo começou

Nascido em Maryland, mudou-se aos 18 anos, em 1975, para a cidade de Nova York, onde tentou ingressar no ramo e passou por várias dificuldades antes de obter seu primeiro trabalho, com a ajuda do desenhista Neal Adams, na editora Gold Key. Lá, Miller trabalhou na revista Twilight Zone (Além da Imaginação) n. 84, de junho de 1978, em que fez a arte para a história Royal Feast. Outros trabalhos seguiram, para a DC Comics (Weird War Tales) e Marvel Comics (John Carter: Warlord of Mars, Doc Samson).

Em 1979 foi convidado a fazer a arte para uma história publicada em The Spectacular Spider-Man, em que o Demolidor aparecia como coadjuvante. Em seguida, Miller se ofereceu para trabalhar nas histórias dessa personagem, assumindo o posto de desenhista regular naquele mesmo ano. Aos poucos começa a colaborar no roteiro das histórias e finalmente os assume individualmente a partir do n. 168, quando introduz a personagem Elektra, amante e nêmesis do protagonista. Com isso, ele conseguiu uma reviravolta na carreira do Homem Sem Medo, cuja revista foi considerada a melhor publicação da Marvel Comics nos dois anos seguintes e provocou a sua ascensão como roteirista principal.

Permaneceu à frente desse título por vários anos, culminando sua participação com a história Born Again (A queda de Murdock no Brasil), publicada dos números 227 a 233, de 1986, com arte de David Mazzucchelli.

Paralelo ao seu trabalho em Daredevil, Miller continuou experimentando novas técnicas e desenvolvendo novos projetos. Em 1983, produziu Ronin, uma minissérie em seis fascículos, inspirada no trabalho de Kazuo Koike e Goseki Kojima em Lobo Solitário. Mas Ronin não obteve muito sucesso quando foi publicada, talvez porque estivesse muito à frente de sua época. Esse também foi o primeiro trabalho em que Miller deteve todos os direitos autorais, apesar de ter sido publicado pela DC Comics.

O Cavaleiro das Trevas

Em 1986 foi convidado para criar uma história do Batman. Miller decidiu levar o personagem a um caminho totalmente novo e reformulou o conceito do personagem — anos após a sua publicação, Batman, O Cavaleiro das Trevas de Miller é uma figura sombria, insegura e indecisa diante do papel como justiceiro e ao longo da história, vai incorporando uma crescente brutalidade no trato com os marginais.

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O mérito de seu trabalho não se restringe à ousadia do roteiro, mas também se relaciona com o esquema de construção dos elementos visuais, estruturados com base em 16 painéis ou quadrinhos por página, criando um senso de urgência que é às vezes bruscamente interrompido por meias páginas ou páginas inteiras com uma única imagem, criando um momento de alívio para o leitor. Nas próprias palavras de Miller,

Quando eu estava estruturando Cavaleiro das Trevas a primeira coisa que eu fiz foi estabelecer o esquema de 16 quadros em que a série inteira iria ser baseada. Isto era eu tentando tentando tratar os painéis como notas musicais em um pulso, para controlar o passo. Era um livro muito denso, eu estava empacotando coisas de maneira extremamente forte nesse ponto, mas você notará que a tensão desses pequenos painés em staccato é quebrada de vez em quando por uma meia página ou por uma imagem de página inteira que é destinada não a retirar você da história mas fazer com que você dê uma pausa e se dê conta de onde a história está, qual é o objetivo. Meu favorito do grupo é no terceiro número, quando você vira a página e se depara com uma imagem de Batman e Robin sobre a cidade, e você está olhando para cima para eles. Esta é provavelmente a cena mais heróica em que eles aparecem em toda a série. (em depoimento a Mark Salisbury, no livro Artists on Comic Art, p. 176, 178).

Artisticamente, Batman: The Dark Knight Returns representou para Frank Miller a ascensão a um novo patamar criativo, para um tipo de história em quadrinhos em que predominava uma atmosfera ameaçadora, bem no estilo dos romances policiais noir que ele tanto apreciava. Nessa obra específica, esse ambiente era ainda mais valorizado pela arte final de Klaus Janson e as cores de Lynn Varley, esposa de Miller na época.

Liberdade criativa

A partir de então, Frank Miller tornou-se celebridade. Diversificou um pouco suas atividades durante um tempo, realizando uma breve incursão na área cinematográfica, ambiente em que desenvolveu as primeiras versões de roteiros para as produções de Robocop II (1990) e Robocop III (1993), ambos retalhados pelo estúdio e recebidos com reservas tanto pela crítica como pelo público. Assim, essa aventura não lhe agradou muito, fazendo com que ele chegasse a repudiar futuras adaptações de suas histórias em quadrinhos para a Sétima Arte.

No final da década de 1980 Miller se afastou das grandes editoras e enveredou-se em busca da independência criativa e financeira, juntando-se à luta pelo modelo de relacionamento autor-editora em que os direitos autorais da criação quadrinhística permanecem com o autor. Nesse sentido, encontrou espaço favorável na editora Dark Horse, casa publicadora responsável pelo lançamento do primeiro episódio de sua criação mais ambiciosa, Sin City, que debutou na revista Dark Horse Presents n. 51, de junho de 1991.

Na editora Dark Horse Miller participou do selo Legend, em que vários escritores e artistas publicavam obras das quais mantinham a propriedade intelectual. Nesse selo ele teve publicados Give Me Liberty (Liberdade, 1990), com Dave Gibbons; Hard Boiled (1990) e Big Guy and Rusty the Boy Robot (1996), ambos com arte de Geof Darrow; e Sin City: A Dame to Kill For (1993-1994) e Sin City: The Big Fat Kill (1994-1995), dando seqüência com suas experimentações em branco e preto de forma visualmente estimulante, às aventuras de seu detetive Marv nas ruas de Basin City. Com essa obra, seu trabalho adquire características mais pessoais; com ela também, felizmente, Frank Miller abandonou a convicção de não permitir a transposição de seus trabalhos quadrinhísticos para o cinema: em 2005, Sin City: A Cidade do Pecado, foi para as telas em uma produção cinematográfica dirigida por Robert Rodriguez. Também foram criadas adaptações para o cinema para Elektra, 300 de Esparta e Batman: O Cavaleiro das Trevas.

O fato é que os últimos 20 anos foram marcados por uma intensa atividade quadrinhística de Frank Miller. Realizados muitas vezes em parceria com grandes nomes da indústria quadrinhística, seus trabalhos são geralmente recebidos com grande receptividade por leitores de todas as idades, desde os títulos de personagens consagrados até projetos experimentais. Miller já recebeu vários prêmios dos quadrinhos e segue hoje como uma referência para desenhistas e roteiristas.

Confira a lista completa dos trabalhos de Frank Miller aqui. Para visitar o blog do artista clique aqui.

Fonte: Omelete, Devir.

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