Lee Price: o hiper-realismo visto de cima

Lee Price é uma artista cuja obra imita uma particular realidade, mas desde que vista de cima. A textura leitosa de suas pinturas dá um aspecto visualmente desconfortável na mulher retratada, uma solidão que emana e domina a tela a partir dos olhos vazios e frios. Soma-se a isso técnica de pintura à óleo ímpar, que lembra uma de suas mestres, Alyssa Monks, que até falamos aqui no blog a algum tempo atrás.

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Em seu próprio site, Price é definida como “uma pintora realista figurativa norte-americana”, e sua arte aborda “mulheres que cuidam das necessidades dos outros antes das suas”. Antes de pintar seus quadros, Lee produz as imagens junto ao fotógrafo Tom Moore e mais tarde, reproduz cada detalhe usando óleo em tela, para criar uma textura leitosa e terna em uma série de trabalhos que exploram aspectos profundos da natureza feminina.

Em entrevista à Dazed Digital, Lee conta um pouco sobre arte, carreira e vida.

“Desde que me lembro, desenho com o intuito de ser uma artista. Até mesmo no jardim da infância eu já sabia que queria trabalhar nesse campo. Minha mãe era professora de arte em um colégio e tenho certeza que isso me influenciou. Entrei na escola de arte para me tornar uma ilustradora e no primeiro ano mudei para pintura. E desde então continuo pintando.

Algumas pessoas me perguntam porque eu uso tinta à óleo ao invés de outros materiais, mas a verdade é que nunca pensei em usar outra coisa. Já minhas pinturas são auto-retratos. Na maioria delas, eu quero ultrapassar a sensação de distração. Como nos deixamos levar pelas coisas que nos distraem de estar presente, quando o presente é muito desconfortável para lidarmos com ele. Como essa válvula de escape ou compulsão geralmente nos prejudica muito mais do que se tivéssemos lidado com o desconforto em primeiro lugar. Eu acho que as melhores mostram não só os aspectos negativos desse comportamento mas também o conforto que se encontra em fazer tal coisa…e o absurdo que isso é.

Em relação ao assunto mulheres/comida, eu acredito que muitas mulheres são criadas com a ideia de que os anseios dos outros são mais importantes que os seus. Nós escondemos nossos apetites, não só com a comida, mas também em outras áreas de nossas vidas, e daí o fazemos em segredo. Nos meus trabalhos mais recentes as mulheres parecem estar “saindo do armário”, olhando para o espectador — sem censurar seu apetite.

Atualmente estou desenvolvendo um trabalho para a Evoke Contemporary gallery em Santa Fé, Novo México que é uma continuação do tema mulheres/comida, mas também estou trabalhando em uma linha diferente, inspirada pelas fotografias de nu de Carla Van De Puttelaar Cranach que estou ansiosa pelos resultados.

Em relação a vida, atualmente passo mais de 70 horas semanais no meu estúdio, o que não me dá muito tempo, mas quando tenho tempo gosto de fazer hiking e o que não será surpresa: a segunda coisa que mais gosto de fazer é cozinhar…”

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