Bate-papo com o aquarelista e ilustrador Jorge Henrique

Em tempos de tecnologia digital, o trabalho do artista rompe o comum e desafia o olhar acostumado a associar hiper-realismo e tecnologia — no caso do aquarelista e ilustrador Jorge Henrique, trata-se de um realismo poético que ele expressa com suavidade e riqueza de detalhes.

O artista é um de nossos palestrantes no Sábado Criativo (dia 11/02) com o tema Feito à mão — Sua melhor ferramenta é você!, e aproveitamos para fazer um bate-papo.

Na era digital, por que investir em uma prática manual, como a aquarela e o desenho?
JH – Sempre acreditei que a arte está no indivíduo e não na ferramenta. Quando você fala de “Digital”, eu vejo uma ferramenta e não a concepção. Para que um artista, plástico ou gráfico, possa ser pleno, ele precisa, no meu entender, desenvolver seu trabalho a partir da prática manual. É aí que ele vai perceber nuances, sutilezas, detalhes importantes para o seu aprimoramento.

Bicicletas são objetos recorrentes em suas pinturas. Por que?
JH – Sim são bastante recorrentes. As bicicletas fazem parte de minhas lembranças de infância. Sou de Osasco, que na época era uma cidade Industrial e lá seus operários usavam muito as bicicletas como meio de transporte. Os bicicletários eram, muitas vezes, maiores até que os estacionamentos para carros. Por isso minhas “bikes” tem, em geral, um “design” mais antigo, pois fazem parte de uma época específica, da qual guardo grandes recordações.

Onde busca suas referências? Há algum artista atualmente que você admire?
JH – Na memória em primeira instância, porém sempre ativada por alguma imagem do dia a dia, algo que poderia passar desapercebido para muitos, mas que chama minha atenção. Para a construção do trabalho faço uso de todas as referências possíveis, como livros, internet, o local e os objetos em si, fotografias e até às miniaturas de bicicletas que tenho em casa.
Hoje muitos artistas são admiráveis, nenhum em específico. Existem escolas de aquarelas muito desenvolvidas no mundo. A americana, muito intensa. A Coreana, produz bastante. A européia, responsável pela instituição da aquarela que conhecemos, enfim… Artistas um pouco mais para trás que admiro em especial são Edward Hopper, Vincent Van Gogh, Willian Turner, Courbet, Millet, Rembrandt, Caravaggio, uma infinidade deles.

Quais são os desafios para um artista ser reconhecido no mercado brasileiro?
JH – Em primeiro a sua determinação. Sem acreditar no que se faz e se ter certeza do que se quer, dificilmente se consiga chegar a algum lugar. Segundo, conhecer pessoas que possam ajudar no caminho. Estar atento para o meio do qual faz parte, às coisas que acontecem e às novidades. Não tem segredo, muito “suor” seria uma boa resposta.

Dê uma dica para quem está montando seu portfólio e quer atuar na área de Desenho e Ilustração.
JH – Muita prática!

Gostou do que viu e leu? Visite o site de Jorge Henrique.

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